{"id":10021,"date":"2016-08-29T00:00:00","date_gmt":"2016-08-29T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/instrumentos-financeiros\/"},"modified":"2025-08-18T15:07:11","modified_gmt":"2025-08-18T18:07:11","slug":"instrumentos-financeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/instrumentos-financeiros\/","title":{"rendered":"Instrumentos financeiros: entenda os fundamentos"},"content":{"rendered":"<p>Em 2010, a IASB (International Accounting Standards Board ou Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade), a mais importante institui\u00e7\u00e3o de normaliza\u00e7\u00e3o de contabilidade no mundo, atualizou os seus par\u00e2metros para a feitura dos chamados\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/ifrs-o-que-sao\/\">IFRS\u00a0(International Financial Reporting Standarts<\/a><\/strong> ou Normas Internacionais de Relat\u00f3rios Financeiros). Esse movimento de aperfei\u00e7oamento foi instigado pelas pr\u00f3prias necessidades do mercado, moderniza\u00e7\u00e3o dos processos de contabilidade e defini\u00e7\u00e3o de <strong>instrumentos financeiros.<\/strong><\/p>\n<p>Oficialmente, o Brasil utiliza como normas de divulga\u00e7\u00e3o de <strong>resultados cont\u00e1beis<\/strong> os par\u00e2metros determinados pelo\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.cpc.org.br\/CPC\/CPC\/Conheca-CPC\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comit\u00ea de Pronunciamentos Cont\u00e1beis (CPC)<\/a><\/strong>, um \u00f3rg\u00e3o, formado pela uni\u00e3o de diversas entidades ligadas \u00e0 contabilidade, respons\u00e1vel por Pronunciamentos T\u00e9cnicos referentes ao setor. Isso significa que cabe a ele padronizar termos e normatizar processos que ser\u00e3o utilizados por empresas de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Embora ele seja fruto de uma iniciativa essencialmente nacional, o CPC sempre preza pela internacionaliza\u00e7\u00e3o das suas pr\u00e1ticas, o que garante que suas decis\u00f5es s\u00e3o direcionadas para que o que \u00e9 feito no Brasil seja bastante similar ou id\u00eantico ao que \u00e9 praticado no restante do mundo \u2014 resguardadas, \u00e9 claro, as particularidades nacionais.<\/p>\n<p>E \u00e9 justamente nesse processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o que entra o IFRS. O Relat\u00f3rio Financeiro da IASB \u00e9 o mais utilizado no mundo e, portanto, influencia de maneira decisiva os<strong> pronunciamentos t\u00e9cnicos do CPC<\/strong>. Sendo assim, as mudan\u00e7as realizadas no IASB ir\u00e3o impactar diretamente no exerc\u00edcio da contabilidade no Brasil, o que exige uma atualiza\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e completa dos nossos profissionais.<\/p>\n<p>Tento isso em vista, decidimos disponibilizar um material rico que aborda as mudan\u00e7as mais essenciais desse processo. Nesse post, vamos explicar de forma detalhada o que s\u00e3o os <strong>Instrumentos Financeiros<\/strong>, como eles s\u00e3o abordados na nova norma IFRS, quais tipos de organiza\u00e7\u00e3o precisam se utilizar desse relat\u00f3rio e quais as diferen\u00e7as entre um relat\u00f3rio feito por pequenas e m\u00e9dias empresas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s de porte maior.<\/p>\n<p>Em seguida, falaremos mais detalhadamente sobre a norma<strong> IFRS 9<\/strong>, que ir\u00e1 substituir a antiga \u2014 ainda em vigor \u2014 IAS 39 no que diz respeito a Instrumentos Financeiros. A an\u00e1lise ser\u00e1 focada nas mudan\u00e7as substanciais entre os dois par\u00e2metros, mostrando as novidades e seus impactos reais no fechamento cont\u00e1bil. Dessa forma, esperamos que voc\u00ea esteja apto a utilizar a norma utilizada em todos os grandes mercados do mundo, como EUA e Europa, e que estar\u00e1 cada vez mais presente na realidade brasileira. Ficou interessado? Ent\u00e3o continue lendo!<\/p>\n<h2>O que s\u00e3o Instrumentos Financeiros?<\/h2>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o mais direta de\u00a0<strong>instrumento financeiro<\/strong>\u00a0\u00e9 esta: todo e qualquer contrato que gere um <strong>ativo financeiro<\/strong> para uma parte enquanto, para a segunda parte, \u00e9 gerado um <strong>passivo financeiro<\/strong> ou um <strong>instrumento patrimonial<\/strong>. Dito isso, vamos explicar por partes:<\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li><strong>Ativo financeiro<\/strong>: \u00e9 todo caixa ou similar a caixa a ser recebido. Em geral, ele \u00e9 recebido por meio de dinheiro corrente, mas ainda pode ser oriundo de direitos contratuais, como empr\u00e9stimos, e mesmo a\u00e7\u00f5es de determinada empresa. Ainda s\u00e3o considerados ativos os <strong>t\u00edtulos patrimoniais<\/strong> de uma organiza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Passivo financeiro<\/strong>: como sugere o nome, \u00e9 o lado diretamente oposto ao ativo financeiro; s\u00e3o contas, empr\u00e9stimos e duplicatas a pagar, ou t\u00edtulos de dividas emitidos pela parte. Ou seja, \u00e9 uma <strong>obriga\u00e7\u00e3o via contrato<\/strong> a entregar um <strong>ativo financeiro<\/strong> para outra empresa que apresente potenciais condi\u00e7\u00f5es financeiras desfavor\u00e1veis.<\/li>\n<li><strong>Instrumento Patrimonial<\/strong>: o instrumento patrimonial \u00e9 uma esp\u00e9cie de passivo financeiro. Sua particularidade est\u00e1 no fato de que ela ainda tenha um <strong>res\u00edduo dos ativos da empresa<\/strong> ap\u00f3s a dedu\u00e7\u00e3o de todos os seus ativos. Ou seja, a parte favorecida durante a transa\u00e7\u00e3o recebe uma fatia da empresa que o cede, que podem ser, por exemplo, a\u00e7\u00f5es prontamente exerc\u00edveis ou mesmo patrim\u00f4nio l\u00edquido.<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"https:\/\/material.grupoblb.com.br\/ebook-instrumentos-financeiros\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-24442\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Ebook-Guia-sobre-Instrumentos-Financeiros-na-Contabilidade.png?resize=770%2C136&#038;ssl=1\" alt=\"Ebook Guia sobre Instrumentos Financeiros na Contabilidade\" width=\"770\" height=\"136\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Ebook-Guia-sobre-Instrumentos-Financeiros-na-Contabilidade.png?w=850&amp;ssl=1 850w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Ebook-Guia-sobre-Instrumentos-Financeiros-na-Contabilidade.png?resize=300%2C53&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Ebook-Guia-sobre-Instrumentos-Financeiros-na-Contabilidade.png?resize=768%2C136&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Ebook-Guia-sobre-Instrumentos-Financeiros-na-Contabilidade.png?resize=24%2C4&amp;ssl=1 24w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Ebook-Guia-sobre-Instrumentos-Financeiros-na-Contabilidade.png?resize=36%2C6&amp;ssl=1 36w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Ebook-Guia-sobre-Instrumentos-Financeiros-na-Contabilidade.png?resize=48%2C8&amp;ssl=1 48w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<h2>Os tipos de empresas que utilizam os instrumentos financeiros (IFs)<\/h2>\n<p>Os instrumentos financeiros devem ser utilizados em todos os tipos de empresa, desde as pequenas e m\u00e9dias (PME) at\u00e9 grandes organiza\u00e7\u00f5es, conhecidas como Bigs \u2014 ou seja, pequenas importadoras, prestadoras de servi\u00e7os, grandes empresas transnacionais ou institui\u00e7\u00f5es financeiras com atua\u00e7\u00e3o global devem se utilizar dos instrumentos financeiros de maneira adequada.<\/p>\n<p>No entanto, a utiliza\u00e7\u00e3o dos IFs varia conforme o grau de complexidade das <strong>opera\u00e7\u00f5es financeiras<\/strong>. Portanto, eles tendem a acompanhar o pr\u00f3prio porte dos neg\u00f3cios.<\/p>\n<h3>Grandes empresas<\/h3>\n<p>S\u00e3o consideradas empresas de grande porte aquelas que apresentam ativos totais maiores que R$ 240 mi ou, ainda, uma receita bruta anual superior a R$ 300 mi e sejam sociedades por a\u00e7\u00e3o fechadas. De acordo com a IASB e a pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o brasileira, elas devem utilizar o chamado <strong>modelo Full de contabiliza\u00e7\u00e3o de IFRS<\/strong>; ou seja, devem apresentar um relat\u00f3rio levando em conta todos os t\u00f3picos cobertos pela documenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As principais obrigatoriedades exclusivas desse tipo de relat\u00f3rio s\u00e3o a obrigatoriedade de apresentar dados referentes ao <strong>fluxo de caixa<\/strong>, lucro por a\u00e7\u00e3o, demonstra\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil intermedi\u00e1ria, seguro e contabiliza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para seguros. Basicamente, as grandes empresa devem estar atentas a toda e qualquer norma e itens de divulga\u00e7\u00e3o prescritas e, ainda, devem faz\u00ea-lo de forma anual.<\/p>\n<h3>Pequenas e m\u00e9dias empresas<\/h3>\n<p>O <strong>IFRS para PMEs<\/strong> segura princ\u00edpios id\u00eanticos ao IFRS Full, mas suas exig\u00eancias s\u00e3o bastante reduzidas \u2014 estamos falando de 3000 itens de divulga\u00e7\u00e3o na modalidade completa que s\u00e3o reduzidos para cerca de 300 na modalidade voltada para pequenas e m\u00e9dias. Al\u00e9m disso, o <strong>relat\u00f3rio cont\u00e1bil de PMEs<\/strong> deve ser realizado de tr\u00eas em tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Vale lembrar que essa op\u00e7\u00e3o se aplica a todas as empresas que n\u00e3o apresentem ativos de at\u00e9 R$ 250 mi ou receita bruta de R$ 300 mi, portanto, valem desde as microempresas at\u00e9 aquelas de m\u00e9dio e mesmo grande porte. Basicamente, existem dois modelos de IFRS PME que podem ser adotados de acordo com as caracter\u00edsticas e complexidade de cada neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>E \u00e9 justamente sobre esses dois modelos que iremos falar a seguir.<\/p>\n<h4><strong>Modelo 1<\/strong><\/h4>\n<p>O grande diferencial desse modelo \u00e9 que ele traz altera\u00e7\u00f5es no modo de divulga\u00e7\u00e3o de resultados. Em linhas gerais, ela dispensa a apresenta\u00e7\u00e3o de itens considerados inexistentes ou inexpressivos em empresas de pequeno porte.<\/p>\n<p>Portanto, empresas que optam pelo modelo 1 n\u00e3o precisam divulgar itens como d\u00edvidas negociadas em bancos. Al\u00e9m disso, elas s\u00e3o dispensadas de divulgar todos os fair values dos seus IFs, nas quais os custos dessa divulga\u00e7\u00e3o superariam as vantagens da publicidade dessas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h4><strong>Modelo 2<\/strong><\/h4>\n<p>O Modelo 2 cont\u00e9m todos os diferenciais contidos no Modelo 1 quando comparado a vers\u00e3o Full, mas tamb\u00e9m apresenta algumas outras particularidades. Elas est\u00e3o concentradas em tr\u00eas pontos essenciais do relat\u00f3rio cont\u00e1bil:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Classifica\u00e7\u00e3o<\/strong>: de acordo com esse modelo, os Instrumentos Financeiros n\u00e3o s\u00e3o mais mensurados por meio de fair value option. Aqui, eles passam a ser computados de acordo com o custo, seja ele amortizado ou n\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Reconhecimento inicial<\/strong>: anteriormente, o IAS 39 obrigava todos os IFs a serem reconhecidos pelo seu valor justo. No entanto, a nova regra admite que o reconhecimento inicial seja feito por meio do valor presente ou valor transicional, desde que n\u00e3o seja referente a uma transa\u00e7\u00e3o de financiamento.<\/li>\n<li><strong>Desreconhecimento<\/strong>: mais uma vez, tivemos uma altera\u00e7\u00e3o na passagem entre IAS 39 e IRFS 9. A regra antiga exigia o chamado envolvimento cont\u00ednuo e exigia a obriga\u00e7\u00e3o de transferir os fluxos de caixa para serem desreconhecidos. Essa regra foi modificada, e tais transa\u00e7\u00f5es passaram a receber o reconhecimento dentro do \u00e2mbito da IRFS 39.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Entendendo a norma IFRS 9<\/h2>\n<p>A IFRS 9 \u00e9 uma norma relativamente recente, lan\u00e7ada apenas em meados de 2014. No entanto, sua elabora\u00e7\u00e3o foi iniciada em 2008, e, durante esses quase seis anos de gesta\u00e7\u00e3o, passou por um longo processo de aperfei\u00e7oamento e melhorias.<\/p>\n<p>Esse processo foi realizado em tr\u00eas fases distintas, passando pela redefini\u00e7\u00e3o de maneiras de classificar e mensurar ativos financeiros, seguida da cria\u00e7\u00e3o de uma nova metodologia de <strong><a href=\"http:\/\/portal.blbbrasilescoladenegocios.com.br\/teste-de-impairment\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"broken_link\">impairment <\/a><\/strong>(reconhecimento de perdas por redu\u00e7\u00e3o de valor recuper\u00e1vel) e, por fim, definindo novas regras para a contabilidade de hedge.<\/p>\n<p>A IFRS ainda n\u00e3o encontra um correspondente* elaborado pelo\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.cpc.org.br\/CPC\/CPC\/Conheca-CPC\">Comit\u00ea de Pronunciamentos Cont\u00e1beis (CPC)<\/a><\/strong>, no entanto, a IASB definiu que ela ser\u00e1 obrigat\u00f3ria a partir de julho de 2018. Embora a contabilidade brasileira n\u00e3o seja formalmente regida pelas normas da IASB, suas publica\u00e7\u00f5es v\u00eam sendo adotadas em todo mundo, em especial nos Estados Unidos e Europa, sendo, portanto, uma tend\u00eancia que deve ser acompanhada pelo pr\u00f3prio Comit\u00ea brasileiro.<\/p>\n<p>Uma das explica\u00e7\u00f5es para esse movimento \u00e9 que as pr\u00f3prias CPCs relativas a instrumentos financeiros atualmente em vigor s\u00e3o espelhadas na antiga norma da IASB, em especial a IAS 39 \u2014 justamente a que est\u00e1 sendo substitu\u00edda pela IFRS 9. Por isso, no pr\u00f3ximo cap\u00edtulo vamos explicar quais s\u00e3o as principais rupturas e continuidades representadas por essa mudan\u00e7a de par\u00e2metros.<\/p>\n<h2>Comparando as normas IAS 39 e IFRS 9<\/h2>\n<p>Entre os principais motivadores para a mudan\u00e7a da norma IAS 39 e a IFRS 9 est\u00e1 a necessidade de simplificar a classifica\u00e7\u00e3o IFs, assim como sua mensura\u00e7\u00e3o e contabiliza\u00e7\u00e3o. Essa ideia surgiu e foi aplicada transformando uma norma que era baseada em regras em outra mais flex\u00edvel, baseada em princ\u00edpios cont\u00e1beis.<\/p>\n<p>Dessa forma, as principais mudan\u00e7as de paradigma est\u00e3o nas mudan\u00e7as de categoriza\u00e7\u00e3o de instrumentos financeiros e na mensura\u00e7\u00e3o e contabiliza\u00e7\u00e3o de ativos e passivos, al\u00e9m de mudan\u00e7as em contabiliza\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, como quando ocorre a altera\u00e7\u00e3o no risco de cr\u00e9dito, e na remodela\u00e7\u00e3o de <strong><a href=\"http:\/\/portal.blbbrasilescoladenegocios.com.br\/teste-de-impairment\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"broken_link\">reconhecimento de perdas por impairment<\/a><\/strong> \u2014 al\u00e9m de uma nova maneira de se optar pelo Fair Value Option.<\/p>\n<p>Para nos aprofundarmos nessas quest\u00f5es, vamos comparar as mudan\u00e7as item por item.<\/p>\n<h3>Categorias de Ativos Financeiros<\/h3>\n<p>Na categoria dos ativos financeiros, deveriam ser inclu\u00eddos ativos de valor justo por meio de resultado \u2014 empr\u00e9stimos, ativos financeiros dispon\u00edveis para venda e investimentos mantidos at\u00e9 o vencimento. J\u00e1 em passivos financeiros entravam os passivos de valor justo por meio de resultado e passivos de custo amortizado.<\/p>\n<p>Com a IFRS 9, os instrumentos financeiros passaram a ser classificados de acordo com a apenas tr\u00eas categorias: <strong>instrumentos financeiros ao custo amortizado<\/strong>, <strong>IFs ao valor justo por meio do resultado<\/strong> e <strong>IFs ao valor justo por meio de outros resultados abrangentes<\/strong>. Dito isso, vale ressaltar que a classifica\u00e7\u00e3o para determinada categoria segue dois crit\u00e9rios b\u00e1sicos: <strong>modelo de neg\u00f3cios da empresa<\/strong> e as <strong>caracter\u00edsticas contratuais dos fluxos de caixa do ativo financeiro<\/strong>. Voltaremos a essa novidade no pr\u00f3ximo cap\u00edtulo.<\/p>\n<h3>Mensura\u00e7\u00e3o e contabiliza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Em geral, as regras estabelecidas pelas normas IRFS 9 e IAS 39 permanecem praticamente inalteradas, a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 quando h\u00e1 a necessidade de contabilizar o impacto de altera\u00e7\u00e3o no risco de cr\u00e9dito da empresa em quest\u00e3o. Enquanto a IAS previa que esse caso seria contabilizado no resultado, a nova regra determina que eles devem ser inclu\u00eddos em outros resultados abrangentes.<\/p>\n<p>Os instrumentos patrimoniais tamb\u00e9m receberam uma novidade na sua contabiliza\u00e7\u00e3o. Agora \u00e9 poss\u00edvel incluir uma op\u00e7\u00e3o irrevog\u00e1vel de reconhecimento inicial o que impacta na apresenta\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as ao valor justo de resultados abrangentes. Por fim, os instrumentos derivativos embutidos em instrumentos de d\u00edvida n\u00e3o necessitam mais de um requerimento para bifurca\u00e7\u00e3o do IF ou contabiliza\u00e7\u00e3o em separado.<\/p>\n<h3>Fair Value Option<\/h3>\n<p>Aqui tamb\u00e9m existe uma continuidade: a op\u00e7\u00e3o pelo valor justo deve continuar sendo realizada no momento do reconhecimento inicial do IF, desde que isso implique na elimina\u00e7\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o significativa de um descasamento cont\u00e1bil do resultado. N\u00f3s voltaremos a falar sobre valor justo no cap\u00edtulo <strong>Day One Profit or Loss<\/strong>.<\/p>\n<h3>Impairment de ativos financeiros<\/h3>\n<p>A IAS 39 s\u00f3 reconhecia as perdas por decorr\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o de valor recuper\u00e1vel, mais conhecida pelo termo <strong>Impairment<\/strong>, quando havia a possibilidade de se comprar o evento respons\u00e1vel por esse processo. O procedimento se mostrou especialmente fr\u00e1gil durante a crise financeira de 2008, quando alguns institui\u00e7\u00f5es utilizaram a tardia notifica\u00e7\u00e3o de impairment era intencional, mesmo sabendo que as possibilidades de perda futura eram grandes.<\/p>\n<p>A IRFS 9 busca corrigir esse problema trocando a mensura\u00e7\u00e3o de impairment baseada em perdas hist\u00f3ricas \u2014 portanto, retroativas \u2014 por um conceito de perdas esperadas. \u00c9 claro que a defini\u00e7\u00e3o de perdas esperadas n\u00e3o pode ser realizada no simples chute e, por isso, devem seguir chaves de estimativas seguras, que s\u00e3o:<\/p>\n<ol>\n<li>a<strong> identifica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias<\/strong> que devem ser levadas em conta e que podem ser provadas por razoabilidade, como proje\u00e7\u00f5es de quedas de valores de determinadas a\u00e7\u00f5es ou ativos;<\/li>\n<li>uma <strong>estimativa ponderada de perdas<\/strong>, em que se deva incluir pelo menos duas possibilidades de impairment, demonstrando, portanto, um leque de probabilidades futuras;<\/li>\n<li>a pr\u00f3pria<strong> desvaloriza\u00e7\u00e3o do dinheiro no tempo<\/strong>, como nas perdas causadas por uma infla\u00e7\u00e3o acelerada.<\/li>\n<\/ol>\n<h3>Hedge Accounting<\/h3>\n<p>A contabilidade hedge \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o bastante popular entre empresas que necessitam reduzir as grandes varia\u00e7\u00f5es nos seus resultados gerais ou no seu patrim\u00f4nio l\u00edquido. A norma IAS 39 determinava algumas regras para minimizar os riscos desse tipo de opera\u00e7\u00e3o, que, em sua grande maioria, foram mantidas nas IRFS 9.<\/p>\n<p>No entanto, isso n\u00e3o significa que n\u00e3o existem novidades; a nova regra traz alguns recursos para diminuir a restritividade de opera\u00e7\u00f5es de hedge, tornando mais efetiva a gest\u00e3o de riscos financeiros. Entre as principais mudan\u00e7as, podemos citar:<\/p>\n<ul>\n<li>as regras para a designa\u00e7\u00e3o de componentes de riscos foram simplificadas caso sejam consideradas instrumentos de hedge;<\/li>\n<li>o teste de efetividade de hedge, na qual era necess\u00e1rio um \u00edndice entre 80% e 125% foi substitu\u00eddo por um teste prospectivo qualitativo detalhado;<\/li>\n<li>as estrat\u00e9gias hedge que envolvam op\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o a uma mudan\u00e7a de valor no decorrer do tempo foram simplificadas assim como a designa\u00e7\u00e3o de componentes de riscos como componentes do hedge accounting.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Quais as principais classifica\u00e7\u00f5es para os instrumentos financeiros?<\/h2>\n<p>Conforme explicamos no cap\u00edtulo anterior, a IRFS 9 traz uma maneira mais simplificada e direta de classificar ativos e, consequentemente, os instrumentos financeiros. Essa divis\u00e3o \u00e9 feita baseada na maneira com os ativos s\u00e3o utilizados dentro da pol\u00edtica de fluxo de caixa das corpora\u00e7\u00f5es, e, em geral, refletem a pr\u00f3pria complexidade do neg\u00f3cio. Dessa forma, os IFs foram classificados da seguinte forma.<\/p>\n<h3>IFs ao custo amortizado<\/h3>\n<p>Modelos de neg\u00f3cio que preveem exclusivamente fluxos de caixa contratuais \u2014 em especial, por meio de juros \u2014 s\u00e3o classificados como ativos financeiros ao custo amortizado, j\u00e1 que \u00e9 um simples instrumento de d\u00edvida simples.<\/p>\n<h3>IF ao justo valor por meio de resultados abrangentes<\/h3>\n<p>Na outra m\u00e3o, temos modelos de neg\u00f3cio que v\u00e3o al\u00e9m da d\u00edvida simples, e preveem ainda a venda de ativos financeiros. Nesses casos, devem ser somados o pr\u00f3prio custo amortizado com a aplica\u00e7\u00e3o da taxa de juros, assim como o valor justo no balan\u00e7o patrimonial e, ainda, a marca\u00e7\u00e3o a mercado do instrumento de resultados abrangentes.<\/p>\n<h3>IF ao valor justo por meio do resultado<\/h3>\n<p>Nessa categoria entram todas as IFs que n\u00e3o foram contempladas nas duas anteriores, sendo considerada uma categoria residual. Aqui tamb\u00e9m devem entrar ativos financeiros que s\u00e3o detidos para negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Day one profit or loss em Instrumentos Financeiros<\/h2>\n<p>O conceito de valor justo, ou fair value, \u00e9 bastante simples: trata-se de determinar a quantia monet\u00e1ria correspondente a determinado ativo que pode ser negociado (ou um passivo liquidado) que atenda \u00e0s perspectivas das duas partes, considerando o valor usual de mercado. Ou seja, desconsidera-se que uma das partes est\u00e1 sofrendo press\u00f5es para a venda que poderiam impactar em uma desvaloriza\u00e7\u00e3o ou valoriza\u00e7\u00e3o anormal do bem.<\/p>\n<p>Em certa medida, o fair value \u00e9 um contrapeso ao valor presente (VP) \u2014 valor que aquele bem receberia durante uma transa\u00e7\u00e3o normal, considerando as press\u00f5es e contexto desprezadas na mensura\u00e7\u00e3o do valor presente. A compara\u00e7\u00e3o entre o valor justo e o valor presente resulta no chamado <strong>day one profit or loss<\/strong>, que poderia ser traduzido em portugu\u00eas para <strong>ganho ou perda no primeiro dia<\/strong>.<\/p>\n<p>Vejamos um exemplo: vamos supor que o valor justo de um ativo como uma plataforma petroleira seja de R$ 1 bi, enquanto o VP seja, na verdade, de R$ 700 mi. Nesse caso, a empresa que adquiri o ativo teria um day one loss de R$ 300 mi.<\/p>\n<h3>Como esse valor deve ser lan\u00e7ando como Instrumento Financeiro?<\/h3>\n<p>De acordo com a IAS 39, todo ativo deveria ser computado de acordo com seu valor justo. No entanto, como as perdas ou ganhos podem ser grandes no day one profit, a IFRS 9 determina que esse valor pode ser corregido desde que isso implique na corre\u00e7\u00e3o de um descasamento profundo no balan\u00e7o financeiro.<\/p>\n<p>Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio que a diferen\u00e7a entre fair value e valor presente sejam comprovadas com premissas que possam ser observadas no mercado. Esse \u00e9 um caso cl\u00e1ssico em que a normatiza\u00e7\u00e3o dos instrumentos financeiros abriu m\u00e3o de uma ideia de regra fixa \u2014 como a obrigatoriedade de se usar o valor justo, em favor de uma ideia de princ\u00edpio financeiro na qual \u00e9 preciso realizar a contabiliza\u00e7\u00e3o de acordo com a realidade financeira das empresas e do pr\u00f3prio contexto de mercado.<\/p>\n<h2>Conclus\u00e3o<\/h2>\n<p>As mudan\u00e7as oriundas do no IFRS s\u00f3 ser\u00e3o efetivadas em julho de 2018, mas isso n\u00e3o significa que o processo de conhecimento e adapta\u00e7\u00e3o das empresas \u2014 sejam elas pequenas, m\u00e9dias ou grandes \u2014 n\u00e3o deva ser iniciada desde j\u00e1. Esse prazo de dois anos deve ser utilizado como um per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o, em que as pr\u00e1ticas e procedimentos dever\u00e3o se adequar \u00e0 nova realidade, em um processo a ser realizado em etapas, e de maneira constante, at\u00e9 julho de 2018.<\/p>\n<p>Essa realidade \u00e9 completamente aplic\u00e1vel e vale tamb\u00e9m para as empresas brasileiras, mesmo n\u00e3o sendo diretamente ligadas aos par\u00e2metros da IASB, j\u00e1 que, como falamos anteriormente o pr\u00f3prio Comit\u00ea de Pronunciamentos Cont\u00e1beis tende a se adequar aos padr\u00f5es internacionais de contabilidade.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o s\u00e3o apenas as empresas que devem se preparar para a nova realidade. Cabe tamb\u00e9m ao profissional da contabilidade aumentar a sua pr\u00f3pria capacita\u00e7\u00e3o, procurando conhecer com profundidade o que prop\u00f5e a IASB e detectando as vantagens e oportunidades que a ado\u00e7\u00e3o do novo IRFS ir\u00e1 trazer para a profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>E essa capacita\u00e7\u00e3o continuada pode ser obtida de v\u00e1rias formas, desde os treinamentos internos oferecidos pelas pr\u00f3prias empresas, passando pela participa\u00e7\u00e3o em encontros e workshops voltados para o tema, e mesmo por meio de cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o voltados para a utiliza\u00e7\u00e3o de normas t\u00e9cnicas. Existe, tamb\u00e9m, a possibilidade de aprendizagens alternativas igualmente eficientes, como os\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/educacao.blbbrasil.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"broken_link\">cursos online<\/a><\/strong>\u00a0com certifica\u00e7\u00e3o garantida.<\/p>\n<p>*Atualiza\u00e7\u00e3o:<br \/>Atualmente, o Comit\u00ea de Pronunciamentos Cont\u00e1beis j\u00e1 emitiu normas correspondentes \u00e0 IFRS 9. Saiba mais <strong><a href=\"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/ifrs-9-instrumentos-financeiros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/cursos-modalidade\/ensino-a-distancia-ead\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-24411\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Cursos-EAD-BLB-Escola-de-Negocios.png?resize=770%2C136&#038;ssl=1\" alt=\"Cursos EAD - BLB Escola de Neg\u00f3cios\" width=\"770\" height=\"136\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Cursos-EAD-BLB-Escola-de-Negocios.png?w=850&amp;ssl=1 850w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Cursos-EAD-BLB-Escola-de-Negocios.png?resize=300%2C53&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Cursos-EAD-BLB-Escola-de-Negocios.png?resize=768%2C136&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Cursos-EAD-BLB-Escola-de-Negocios.png?resize=24%2C4&amp;ssl=1 24w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Cursos-EAD-BLB-Escola-de-Negocios.png?resize=36%2C6&amp;ssl=1 36w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Cursos-EAD-BLB-Escola-de-Negocios.png?resize=48%2C8&amp;ssl=1 48w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><\/p>\n\n\n<div role=\"main\" id=\"newsletter-c3068fadb06a9581c7b5\"><\/div><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/d335luupugsy2.cloudfront.net\/js\/rdstation-forms\/stable\/rdstation-forms.min.js\"><\/script><script type=\"text\/javascript\"> new RDStationForms('newsletter-c3068fadb06a9581c7b5', 'UA-56072996-10').createForm();<\/script>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A defini\u00e7\u00e3o mais direta de instrumento financeiro \u00e9 esta: todo e qualquer contrato que gere um ativo financeiro para uma parte enquanto, para a segunda parte, \u00e9 gerado um passivo financeiro ou um instrumento patrimonial.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":10022,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"spay_email":""},"categories":[2,40,705,715],"tags":[74,115,71,144],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v16.9 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Instrumentos financeiros: entenda os fundamentos<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"O que s\u00e3o os Instrumentos Financeiros, como eles s\u00e3o abordados na nova norma IFRS, quais tipos de organiza\u00e7\u00e3o precisam se utilizar desse relat\u00f3rio. 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