{"id":14282,"date":"2018-10-02T11:59:50","date_gmt":"2018-10-02T14:59:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/?p=14282"},"modified":"2021-07-20T10:23:49","modified_gmt":"2021-07-20T13:23:49","slug":"cpc-18-investimentos-sociedades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/cpc-18-investimentos-sociedades\/","title":{"rendered":"Impactos no resultado decorrentes de investimento em outras sociedades"},"content":{"rendered":"\n<p>Em <strong><a href=\"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/cpc-18-reconhecimento-inicial-investimento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo anterior<\/a><\/strong>, foi dado in\u00edcio ao delineamento dos elementos centrais que envolvem uma opera\u00e7\u00e3o de investimento em outras sociedades. No presente artigo ser\u00e3o explicados aspectos mais complexos e que exigem um conhecimento pr\u00e9vio do tema, portanto \u00e9 recomendada a leitura dos artigos anteriormente publicados relacionados aos CPC 15 e CPC 18.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ter sido compreendido como uma entidade investidora pode reconhecer os investimentos em outras entidades, ser\u00e1 explicado neste artigo como ser\u00e3o feitos os ajustes decorrentes desses investimentos e como eles impactam no resultado da entidade.<\/p>\n<p><strong><h2>Como reconhecer o resultado da investida com base no M\u00e9todo de Equival\u00eancia?<\/h2><\/strong><br \/>Conforme exposto no <strong><a href=\"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/cpc-18-reconhecimento-inicial-investimento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo anterior<\/a><\/strong>, ap\u00f3s o reconhecimento inicial ser\u00e1 necess\u00e1rio um ajuste no valor do investimento \u2013 no Balan\u00e7o Patrimonial da investidora \u2013 quando da apura\u00e7\u00e3o do resultado da investida. Com isso, o valor de investimentos no BP estar\u00e1 consistente com o valor do patrim\u00f4nio l\u00edquido da investida. Esse ajuste, chamado de M\u00e9todo de Equival\u00eancia Patrimonial (MEP ou EVP), ter\u00e1 como base de c\u00e1lculo:<br \/>EVP = Lucro da investida X % de participa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Identificado o valor de EVP a ser ajustado, o lan\u00e7amento ser\u00e1:<br \/>D \u2013 Investimentos em Coligadas ou Controladas (ANC &#8211; Investimentos)<br \/>C \u2013 Resultado de Equival\u00eancia Patrimonial (Resultado)<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, dever\u00e3o ser reconhecidos no investimento as varia\u00e7\u00f5es de saldos dos componentes dos outros resultados abrangentes da investida (reconhecidos diretamente em seu Patrim\u00f4nio L\u00edquido). Por exemplo, caso eventual resultado abrangente positivo da investida seja relacionado a um Ajuste Acumulado de Convers\u00e3o, caber\u00e1 o seguinte lan\u00e7amento na investidora:<br \/>D \u2013 Investimentos em coligadas ou controladas (ANC &#8211; Investimentos)<br \/>C \u2013 Ajuste acumulado de convers\u00e3o (PL)<\/p>\n<p>Uma d\u00favida comum \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 posterior distribui\u00e7\u00e3o de dividendos, j\u00e1 que no M\u00e9todo de Custo a distribui\u00e7\u00e3o tem como reflexo o reconhecimento do resultado na investidora. Salienta-se que no M\u00e9todo de Equival\u00eancia n\u00e3o se pode reconhecer um resultado na distribui\u00e7\u00e3o de dividendos, sendo devido o seguinte lan\u00e7amento:<br \/>D \u2013 Dividendos a receber (AC)<br \/>C \u2013 Investimentos em coligadas ou controladas (ANC &#8211; Investimentos)<\/p>\n<p>A fim de consolidar o entendimento, um exemplo pr\u00e1tico:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>Em 31\/12\/2016, a Cia. Xadrez adquiriu 70% das a\u00e7\u00f5es da Cia. Listrada por R$ 7.200.000,00 \u00e0 vista. Na data da aquisi\u00e7\u00e3o, o Patrim\u00f4nio L\u00edquido da Cia. Listrada era R$ 8.500.000,00 e o valor justo l\u00edquido dos ativos e passivos identific\u00e1veis dessa Cia. era R$ 9.000.000,00, cuja diferen\u00e7a foi decorrente de um ativo intang\u00edvel com vida \u00fatil indefinida que a Cia. Listrada havia adquirido em junho de 2014. <\/em><br \/><em>No per\u00edodo de 01\/01\/2017 a 31\/12\/2017, a Cia. Listrada reconheceu as seguintes muta\u00e7\u00f5es em seu Patrim\u00f4nio L\u00edquido:<\/em><\/p>\n<ul>\n<li><em> Lucro l\u00edquido: R$ 800.000,00<\/em><\/li>\n<li><em> Distribui\u00e7\u00e3o de dividendos: R$ 300.000,00<\/em><\/li>\n<li><em> Ajustes acumulados de convers\u00e3o de investida no exterior: R$ 100.000,00 (negativo)<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p>Em raz\u00e3o do investimento, conforme j\u00e1 explicado no t\u00f3pico anterior, no reconhecimento inicial teremos os seguintes lan\u00e7amentos:<br \/>C \u2013 R$ 7.200.000 (Disponibilidades &#8211; AC)<br \/>D \u2013 R$ 5.950.000 (Participa\u00e7\u00e3o Societ\u00e1ria &#8211; Investimentos ANC)<br \/>D \u2013 R$ 350.000 (Mais-valia &#8211; Investimentos ANC)<br \/>D \u2013 R$ 900.000 (Goodwill &#8211; Investimentos ANC)<\/p>\n<p>J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao lucro apurado pela investida (R$ 800.000), a investidora precisar\u00e1 reconhecer como MEP o montante de R$ 560.000 (70% de R$ 800.000):<br \/>D \u2013 R$ 560.000 (Participa\u00e7\u00e3o Societ\u00e1ria &#8211; Investimentos ANC)<br \/>C \u2013 R$ 560.000 (Resultado positivo de EVP &#8211; Receita)<\/p>\n<p>No que tange ao ajuste acumulado de convers\u00e3o (R$ 100.000), conforme j\u00e1 explicado, caber\u00e1 \u00e0 investidora reconhecer R$ 70.000 diretamente em seu Patrim\u00f4nio L\u00edquido (j\u00e1 que se trata de resultado abrangente):<br \/>D \u2013 R$ 70.000 (Outros Resultados Abrangentes &#8211; PL)<br \/>C \u2013 R$ 70.000 (Investimento &#8211; Participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria ANC)<\/p>\n<p>Por fim, caber\u00e1 a investidora reconhecer a sua parte na distribui\u00e7\u00e3o de dividendos (70% de R$ 300.000 = R$ 210.000), logo, teremos:<\/p>\n<p>D \u2013 R$ 210.000 (Dividendos a Receber &#8211; AC)<br \/>C \u2013 R$ 210.000 (Investimento &#8211; Participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria ANC)<\/p>\n<p><strong><h2>Como reconhecer o resultado na investida com base no M\u00e9todo de Custo?<\/h2><\/strong><br \/>O M\u00e9todo de Custo \u00e9 um m\u00e9todo muito mais simples do que o m\u00e9todo de EVP, posto que, ap\u00f3s o reconhecimento inicial, altera\u00e7\u00f5es no patrim\u00f4nio da investida apenas geram ajuste na investidora na distribui\u00e7\u00e3o de dividendos \u2013 ou caso a entidade tenha perda de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o ou perda irrecuper\u00e1vel (nesse caso, ser\u00e1 reconhecida uma despesa no resultado da investidora).<\/p>\n<p>Seguindo o modelo dos t\u00f3picos anteriores, um exemplo pr\u00e1tico para facilitar a compreens\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>Em 02\/01\/2015, a empresa Para\u00edso S.A. adquiriu 15% da Cia. Paulista por R$ 200.000,00 \u00e0 vista. A empresa Para\u00edso adquiriu apenas a\u00e7\u00f5es preferenciais e n\u00e3o possui influ\u00eancia na Administra\u00e7\u00e3o da Cia. Paulista. Em 2016, a Cia. Paulista obteve lucro l\u00edquido de R$ 60.000,00, Ajustes Acumulados de Convers\u00e3o (AAC) de R$ 15.000,00 e distribuiu dividendos no valor de R$ 20.000,00. <\/em><\/p>\n<p>No reconhecimento inicial de aquisi\u00e7\u00e3o teremos o seguinte lan\u00e7amento:<br \/>D \u2013 R$ 200.000 (Investimento &#8211; Participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria ANC)<br \/>C \u2013 R$ 200.000 (Disponibilidades &#8211; AC)<\/p>\n<p>Observa-se que a empresa Cia. Paulista n\u00e3o \u00e9 uma coligada e nem uma controlada, portanto, n\u00e3o estar\u00e1 obrigada a reconhecer as varia\u00e7\u00f5es do patrim\u00f4nio da investida pelo m\u00e9todo de EVP, e sim pelo M\u00e9todo de Custo.<\/p>\n<p>No M\u00e9todo de Custo, quando a investida divulga lucro, preju\u00edzo ou qualquer outra altera\u00e7\u00e3o no patrim\u00f4nio (por exemplo, o Ajuste Acumulado de Convers\u00e3o), isso\u00a0n\u00e3o\u00a0gera qualquer mudan\u00e7a no valor do investimento por parte do investidor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os dividendos distribu\u00eddos divulgados ou pagos pela investida s\u00e3o registrados pelo investidor como\u00a0receita de dividendos (outras receitas) em contrapartida com dividendos a receber ou disponibilidades.<\/p>\n<p>Pelo exposto, o valor a ser contabilizado ser\u00e1 apenas aquele decorrente da distribui\u00e7\u00e3o de dividendos (15% de R$ 20.000):<br \/>D \u2013 R$ 3.000 (Dividendos a Receber &#8211; AC)<br \/>C \u2013 R$ 3.000 (Receita de Dividendos &#8211; Resultado)<\/p>\n<p><strong><h2>E se a investida tiver preju\u00edzo no exerc\u00edcio, como reconhecer?<\/h2><\/strong><br \/>Caso a empresa tenha preju\u00edzo no exerc\u00edcio, o tratamento ser\u00e1 semelhante ao lucro, ou seja, no m\u00e9todo de equival\u00eancia patrimonial caber\u00e1 \u00e0 investidora reconhecer uma despesa de EVP no resultado em contrapartida \u00e0 participa\u00e7\u00e3o do investidor.<\/p>\n<p>No m\u00e9todo de custo, diferentemente, n\u00e3o haver\u00e1 lan\u00e7amento, salvo uma perda de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o ou perda irrecuper\u00e1vel \u2013 o que ensejaria o reconhecimento de uma despesa no resultado da investidora em contrapartida de uma diminui\u00e7\u00e3o da conta de investimentos no ativo. No m\u00e9todo de custo, <strong>a despesa pela perda apenas poder\u00e1 ser reconhecida no limite da participa\u00e7\u00e3o do investidor<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><h2>E se o preju\u00edzo ultrapassar a participa\u00e7\u00e3o da investidora em uma controlada ou coligada?<\/h2><\/strong><br \/>No M\u00e9todo de Equival\u00eancia Patrimonial qualquer preju\u00edzo na investida gerar\u00e1 reflexo na conta de investimentos da investidora, ainda que n\u00e3o seja um preju\u00edzo de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o ou irrecuper\u00e1vel, j\u00e1 que o intuito do m\u00e9todo \u00e9 sempre manter uma equival\u00eancia entre o PL da investida e montante reconhecido no ativo da investidora.<\/p>\n<p>Quando o montante do preju\u00edzo de uma coligada ou controlada ultrapassa a participa\u00e7\u00e3o do investidor ser\u00e1 preciso considerar dois tratamentos distintos:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Coligada ou Empreendimento Controlado em Conjunto (joint ventures): <\/strong>quando a participa\u00e7\u00e3o do investidor nos preju\u00edzos do per\u00edodo da coligada ou do empreendimento controlado em conjunto se igualar ou exceder o saldo cont\u00e1bil de sua participa\u00e7\u00e3o na investida, <strong>o investidor deve descontinuar o reconhecimento de sua participa\u00e7\u00e3o em perdas futuras<\/strong>.<br \/>Ap\u00f3s reduzir, at\u00e9 zero, o saldo cont\u00e1bil da participa\u00e7\u00e3o do investidor, perdas adicionais devem ser consideradas, e um passivo deve ser reconhecido, <strong>somente<\/strong> na extens\u00e3o em que o investidor tiver incorrido em obriga\u00e7\u00f5es legais ou construtivas (n\u00e3o formalizadas) ou tiver feito pagamentos em nome da investida. Sendo assim, regra geral, <strong>o preju\u00edzo reconhecido pela investidora n\u00e3o poder\u00e1 ultrapassar o limite da participa\u00e7\u00e3o do investidor<\/strong>.<br \/>Por outro lado, se a investida subsequentemente <strong>apurar lucros<\/strong>, o investidor deve retomar o reconhecimento de sua participa\u00e7\u00e3o nesses lucros <strong>somente ap\u00f3s o ponto em que a parte que lhe cabe nesses lucros posteriores se igualar \u00e0 sua participa\u00e7\u00e3o nas perdas n\u00e3o reconhecidas<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Controlada: <\/strong>quando a investida for uma controlada da investidora, o valor do preju\u00edzo daquela ensejar\u00e1 na redu\u00e7\u00e3o de investimentos desta \u2013 at\u00e9 o valor cont\u00e1bil zerar. A parte excedente ser\u00e1 apresentada em conta <strong>espec\u00edfica do passivo, como uma provis\u00e3o<\/strong>, sendo assim, dever\u00e1 ser observada a pr\u00e1tica cont\u00e1bil que produzir o mesmo resultado l\u00edquido e o mesmo patrim\u00f4nio l\u00edquido para a controladora, que ser\u00e3o obtidos a partir das demonstra\u00e7\u00f5es consolidadas do grupo econ\u00f4mico.<br \/>Se a controlada apurar lucros, o investidor poder\u00e1 reconhec\u00ea-los de forma imediata (n\u00e3o precisa esperar que o ganho ultrapasse a perda, posto que foi reconhecida uma provis\u00e3o anteriormente).<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><h2>Uma entidade pode estar obrigada a descontinuar a aplica\u00e7\u00e3o do M\u00e9todo de Equival\u00eancia?<\/h2><\/strong><br \/>Sim, a entidade deve descontinuar o uso do M\u00e9todo de Equival\u00eancia Patrimonial a partir da data em que o investimento deixar de se qualificar como coligada, controlada, ou como empreendimento controlado em conjunto.<\/p>\n<p>No caso de descontinuidade, a norma cont\u00e1bil estabelece que a investidora reconhe\u00e7a no resultado do per\u00edodo, <strong>como receita ou despesa o resultado da seguinte equa\u00e7\u00e3o<\/strong>:<\/p>\n<ul>\n<li>O valor justo do interesse remanescente e da contrapresta\u00e7\u00e3o advinda da aliena\u00e7\u00e3o de parte do interesse no investimento<br \/><strong>DIMINU\u00cdDO PELO<\/strong><\/li>\n<li>Valor cont\u00e1bil l\u00edquido de todo o investimento na data em que houve a descontinuidade<\/li>\n<\/ul>\n<p>Al\u00e9m disso, a entidade que descontinuar o uso do m\u00e9todo de EVP dever\u00e1 contabilizar todos os montantes previamente reconhecidos (no seu Patrim\u00f4nio L\u00edquido como outros resultados abrangentes) e que estejam relacionados com o investimento, na mesma base que seria requerido caso a investida tivesse diretamente se desfeito dos ativos e passivos relacionados.<\/p>\n<p>Em outras palavras, a entidade deve reclassificar a receita ou a despesa reconhecida no seu Patrim\u00f4nio L\u00edquido para a demonstra\u00e7\u00e3o do resultado (como um ajuste de reclassifica\u00e7\u00e3o) quando o M\u00e9todo de Equival\u00eancia Patrimonial for descontinuado.<\/p>\n<p>Por exemplo, se a coligada, controlada, ou o empreendimento controlado em conjunto tiver diferen\u00e7as de convers\u00e3o acumuladas relacionadas \u00e0 entidade no exterior e a investidora decidir descontinuar o uso do M\u00e9todo de Equival\u00eancia Patrimonial, a investidora deve reclassificar para a demonstra\u00e7\u00e3o do resultado do per\u00edodo estes itens, como receita ou despesa.<\/p>\n<p>Um ponto que merece ressalva \u00e9 se o investimento em coligada tornar-se investimento em controlada ou em controlada em conjunto (de modo compartilhado). Nessa hip\u00f3tese, a entidade dever\u00e1 continuar adotando o M\u00e9todo da Equival\u00eancia Patrimonial, mas sem proceder \u00e0 remensura\u00e7\u00e3o do interesse retido.<\/p>\n<p><strong><h2>Caso a entidade investidora altere sua participa\u00e7\u00e3o na investida, quais os reflexos cont\u00e1beis?<\/h2><\/strong><br \/>O CPC 18, relacionado \u00e0 norma IAS 28, esclarece que se a participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria de entidade em coligada, controlada ou empreendimento controlado em conjunto for reduzida, por\u00e9m a investidora continuar a aplicar o M\u00e9todo de Equival\u00eancia Patrimonial, a investidora dever\u00e1 reclassificar para a demonstra\u00e7\u00e3o do resultado, como receita ou despesa, a propor\u00e7\u00e3o da receita ou despesa previamente <strong>reconhecida em outros resultados abrangentes<\/strong> que esteja relacionada com a redu\u00e7\u00e3o na participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria, desde que referido ganho ou perda tivesse que ser reclassificado para a demonstra\u00e7\u00e3o do resultado, como receita ou despesa, na eventual baixa e liquida\u00e7\u00e3o dos ativos e passivos relacionados.<\/p>\n<p>De forma mais simples, a norma cont\u00e1bil CPC 18 determina que o ganho ou a perda decorrente da varia\u00e7\u00e3o do percentual de participa\u00e7\u00e3o da investidora sobre a investida seja contabilizado diretamente no Patrim\u00f4nio L\u00edquido, na conta Ajustes de Avalia\u00e7\u00e3o Patrimonial (no Patrim\u00f4nio L\u00edquido), devendo apenas ser reclassificada para a demonstra\u00e7\u00e3o do resultado na eventual baixa e liquida\u00e7\u00e3o dos ativos e passivos relacionados, em respeito ao regime de compet\u00eancia.<br \/>Por exemplo:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>A Cia. BLB adquire 3.000 a\u00e7\u00f5es da Cia. AMERICANA, o que representa 50% do total de suas a\u00e7\u00f5es que eram de 6.000 a\u00e7\u00f5es. As 6.000 a\u00e7\u00f5es totais da investida representam um capital de R$ 10.000, logo, a Cia. BLB possui R$ 5.000 em a\u00e7\u00f5es.<br \/>Posteriormente, a Cia. AMERICANA registra o aporte de mais 6.000 a\u00e7\u00f5es a R$ 1,00 cada, totalizando, portanto, 12 mil a\u00e7\u00f5es. Assim, conclui-se que o novo percentual de participa\u00e7\u00e3o da Cia. Brasil ser\u00e1 de 25% (3.000 a\u00e7\u00f5es de 12.000 a\u00e7\u00f5es totais).<br \/>Ap\u00f3s este aporte, o Patrim\u00f4nio L\u00edquido da Cia. Americana passou a ser de R$ 16.000 (saldo inicial de R$ 10.000 + aporte de novas a\u00e7\u00f5es no valor de R$ 6.000). Por consequ\u00eancia, o valor do investimento passar\u00e1 a ser de R$ 4.000 (25% x $ R$ 16.000).<br \/>Portanto, houve uma perda de 1.000R$ &#8211; j\u00e1 que antes tinha R$ 5.000 (50% de R$ 10.000), mas agora tem R$ 4.000 (25% de R$ 16.000) \u2013 decorrente da varia\u00e7\u00e3o do percentual de participa\u00e7\u00e3o da Cia. Brasil na Cia. Americana. Sendo assim, dever\u00e1 ser realizado o seguinte registro cont\u00e1bil: <\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">D \u2013 Ajustes de Avalia\u00e7\u00e3o Patrimonial &#8211; 1.000 (PL)<br \/>C \u2013 Investimentos &#8211; 1.000 (ANC Investimentos)<\/p>\n<p><strong><h2>Al\u00e9m da obrigatoriedade de dispensa, uma entidade pode ser dispensada da obrigatoriedade do M\u00e9todo de Equival\u00eancia?<\/h2><\/strong><br \/>A aplica\u00e7\u00e3o do M\u00e9todo de Custo pode ser mais interessante para algumas entidades, tendo visto sua facilidade de aplica\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m por impactar negativamente de forma mais limitada o patrim\u00f4nio da investidora (caso haja eventual preju\u00edzo).<\/p>\n<p>Dessa forma, o CPC 18 estabelece algumas hip\u00f3teses que dispensar\u00e3o uma entidade investidora da obrigatoriedade de adotar o M\u00e9todo de Equival\u00eancia Patrimonial nos investimentos em que detenha o controle individual ou conjunto (compartilhado), ou exer\u00e7a influ\u00eancia significativa:<\/p>\n<ul>\n<li>Se a entidade for uma controladora que <strong>estiver legalmente dispensada de elaborar demonstra\u00e7\u00f5es consolidadas<\/strong>; ou<\/li>\n<li>Se <strong>todos<\/strong> os seguintes itens abaixo forem observados:<br \/>(1) a entidade \u00e9 controlada (integral ou parcial) de outra entidade, a qual, em conjunto com os demais acionistas ou s\u00f3cios, incluindo aqueles sem direito a voto, foram informados a respeito e n\u00e3o fizeram obje\u00e7\u00e3o quanto a n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo da equival\u00eancia patrimonial;<br \/>(2) os instrumentos de d\u00edvida ou patrimoniais da entidade n\u00e3o s\u00e3o negociados publicamente (bolsas de valores dom\u00e9sticas ou estrangeiras ou mercado de balc\u00e3o, incluindo mercados locais e regionais);<br \/>(3) a entidade n\u00e3o arquivou e n\u00e3o est\u00e1 em processo de arquivamento de suas demonstra\u00e7\u00f5es cont\u00e1beis na Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM) ou outro \u00f3rg\u00e3o regulador, visando \u00e0 emiss\u00e3o e\/ou distribui\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualquer tipo ou classe de instrumentos no mercado de capitais; e<br \/>(4) a controladora final ou qualquer controladora intermedi\u00e1ria da entidade disponibiliza ao p\u00fablico suas demonstra\u00e7\u00f5es cont\u00e1beis consolidadas, elaboradas em conformidade com os Pronunciamentos, Interpreta\u00e7\u00f5es e Orienta\u00e7\u00f5es do CPC.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Assim, conforme explicado anteriormente, nos casos acima a entidade poder\u00e1 n\u00e3o adotar o M\u00e9todo de Equival\u00eancia Patrimonial (podendo adotar o M\u00e9todo de Custo). Nessa hip\u00f3tese, a escolha do m\u00e9todo caber\u00e1 t\u00e3o somente \u00e0 investidora \u2013 devendo definir qual m\u00e9todo melhor servir\u00e1 aos seus interesses cont\u00e1beis ou de seus acionistas.<\/p>\n<p><strong><h2>O CPC 18 trata de outros assuntos que sejam importantes para meu investimento?<\/h2><\/strong><br \/>O CPC 18, que regula os investimentos em controladas, coligadas e empreendimentos controlados em conjuntos (joint ventures), trata de diversos temas complexos e extensos, logo, n\u00e3o seria poss\u00edvel esgot\u00e1-los no presente artigo.<\/p>\n<p>A norma cont\u00e1bil trata de outros pontos importantes, muitas vezes, demasiadamente complexos \u2013 que repercutem e alteram de forma significativa o resultado das investidoras, e por consequ\u00eancia seus \u00edndices cont\u00e1beis.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, entidades investidoras, ao analisarem os investimentos atuais ou poss\u00edveis novos investimentos, n\u00e3o podem abrir m\u00e3o do estudo do impacto nos \u00edndices cont\u00e1beis e no resultado da entidade. Ademais, o simples reconhecimento cont\u00e1bil dessas opera\u00e7\u00f5es exige um servi\u00e7o cont\u00e1bil t\u00e9cnico e especializado.<\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.blbbrasil.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"broken_link\"><strong>Grupo BLB Brasil<\/strong><\/a> coloca-se \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para auxiliar quaisquer entidades, de grande ou pequeno porte, que estejam relacionadas \u00e0s complexas opera\u00e7\u00f5es de investimentos, avaliadas pelo M\u00e9todo de Custo ou at\u00e9 mesmo pelo M\u00e9todo de Equival\u00eancia Patrimonial, a fim de orient\u00e1-las nas corretas pr\u00e1ticas cont\u00e1beis e na elabora\u00e7\u00e3o de estudos do impacto cont\u00e1bil de eventuais investimentos no resultado e nos \u00edndices das entidades investidoras.<\/p>\n<p><strong>Gabriel Tavares<\/strong><br \/>Graduado em Direito pelas Faculdades COC, p\u00f3s-graduando em Direito Tribut\u00e1rio pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tribut\u00e1rios (IBET).<\/p>\n<p>Saiba mais sobre as normas CPC 15 e CPC 18:<br \/>&#8211; <strong><a href=\"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/cpc-15-ifrs-3-combinacao-negocios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Combina\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios sob a \u00f3tica cont\u00e1bil do CPC 15 e da IFRS 3<\/a><\/strong><br \/>&#8211; <strong><a href=\"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/cpc-18-participacao-societaria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria e seus aspectos cont\u00e1beis pelo CPC 18\/IAS 28<\/a><\/strong><br \/>&#8211; <strong><a href=\"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/cpc-18-reconhecimento-inicial-investimento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reconhecimento inicial do investimento em outras sociedades<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em artigo anterior, foi dado in\u00edcio ao delineamento dos elementos centrais que envolvem uma opera\u00e7\u00e3o de investimento em outras sociedades. 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