{"id":14640,"date":"2018-12-19T17:18:54","date_gmt":"2018-12-19T19:18:54","guid":{"rendered":"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/?p=14640"},"modified":"2025-08-15T14:37:36","modified_gmt":"2025-08-15T17:37:36","slug":"cpc25-ias37-aspectos-avancados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/cpc25-ias37-aspectos-avancados\/","title":{"rendered":"Aspectos avan\u00e7ados do CPC 25\/IAS 37 \u2013 provis\u00f5es, passivos e ativos contingentes"},"content":{"rendered":"<p>Em <a href=\"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/cpc25-ias37-aspectos-iniciais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo anterior<\/strong><\/a>, publicado neste blog, foram apresentados os aspectos b\u00e1sicos do CPC 25, correlacionado com a Norma Internacional de Contabilidade IAS 37. A compreens\u00e3o do presente artigo exige o reconhecimento daqueles aspectos, sendo assim recomenda-se a leitura do texto mencionado.<\/p>\n<p>O CPC 25 apresenta alguns conceitos t\u00e9cnicos um pouco mais complexos \u2013 embora n\u00e3o muito explorados usualmente na maioria dos artigos cont\u00e1beis. Entretanto, considerando a import\u00e2ncia do tema quanto \u00e0 adequa\u00e7\u00e3o as normas cont\u00e1beis internacionais, passaremos a discorrer acerca das principais d\u00favidas sobre eles.<\/p>\n<h2><strong>Quando uma provis\u00e3o deve ser reconhecida?<\/strong><\/h2>\n<p>O CPC 25 esclarece que uma provis\u00e3o deve ser reconhecida quando os seguintes requisitos sejam atingidos conjuntamente:<\/p>\n<ul>\n<li>A entidade tem uma <strong>obriga\u00e7\u00e3o presente (legal ou n\u00e3o formalizada)<\/strong> como resultado de evento passado;<\/li>\n<li>Seja <strong>prov\u00e1vel que ser\u00e1 necess\u00e1ria uma sa\u00edda de recursos<\/strong> que incorporam benef\u00edcios econ\u00f4micos para liquidar a obriga\u00e7\u00e3o; e<\/li>\n<li>Possa <strong>ser feita uma estimativa confi\u00e1vel <\/strong>do valor da obriga\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Assim, se essas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o forem satisfeitas cumulativamente, nenhuma provis\u00e3o dever\u00e1 ser reconhecida no passivo.<\/p>\n<p>Um ponto de destaque, \u00e9 que a doutrina cont\u00e1bil costuma separar as obriga\u00e7\u00f5es em tr\u00eas categorias:<\/p>\n<ul>\n<li>Obriga\u00e7\u00e3o prov\u00e1vel;<\/li>\n<li>Obriga\u00e7\u00e3o poss\u00edvel; e<\/li>\n<li>Obriga\u00e7\u00e3o remota.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Quando a <strong>obriga\u00e7\u00e3o for prov\u00e1vel<\/strong>, como j\u00e1 explicado, estaremos tratando de uma provis\u00e3o \u2013 o que exige um reconhecimento no passivo e uma divulga\u00e7\u00e3o em notas explicativas.<\/p>\n<p>Quando a <strong>obriga\u00e7\u00e3o for poss\u00edvel<\/strong>, trata-se de um passivo contingente, que n\u00e3o deve ser reconhecido (no passivo), mas apenas evidenciado em notas explicativas.<\/p>\n<p>Por fim, quando <strong>a probabilidade de perda \u00e9 remota<\/strong>, a entidade n\u00e3o reconhece e n\u00e3o evidencia tal fato em nota explicativa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/curso\/provisoes-passivos-contingentes-e-ativos-contingentes-cpc-25-ias-37\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-24425\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/EAD-Provisoes-Passivos-Contingentes-e-Ativos-Contingentes-\u2013-CPC-25.png?resize=770%2C136&#038;ssl=1\" alt=\"EAD Provis\u00f5es, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes \u2013 CPC 25\" width=\"770\" height=\"136\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/EAD-Provisoes-Passivos-Contingentes-e-Ativos-Contingentes-\u2013-CPC-25.png?w=850&amp;ssl=1 850w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/EAD-Provisoes-Passivos-Contingentes-e-Ativos-Contingentes-\u2013-CPC-25.png?resize=300%2C53&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/EAD-Provisoes-Passivos-Contingentes-e-Ativos-Contingentes-\u2013-CPC-25.png?resize=768%2C136&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/EAD-Provisoes-Passivos-Contingentes-e-Ativos-Contingentes-\u2013-CPC-25.png?resize=24%2C4&amp;ssl=1 24w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/EAD-Provisoes-Passivos-Contingentes-e-Ativos-Contingentes-\u2013-CPC-25.png?resize=36%2C6&amp;ssl=1 36w, https:\/\/i0.wp.com\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/EAD-Provisoes-Passivos-Contingentes-e-Ativos-Contingentes-\u2013-CPC-25.png?resize=48%2C8&amp;ssl=1 48w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<p>Entretanto, em alguns casos, a d\u00favida n\u00e3o paira sobre a probabilidade de ocorr\u00eancia de uma obriga\u00e7\u00e3o, mas sim quanto \u00e0 exist\u00eancia ou n\u00e3o de uma obriga\u00e7\u00e3o presente.<\/p>\n<p>Ora, em alguns casos raros n\u00e3o \u00e9 claro se existe ou n\u00e3o uma obriga\u00e7\u00e3o presente. Nesses casos, presume-se que um evento passado d\u00e1 origem a uma obriga\u00e7\u00e3o presente se, levando em considera\u00e7\u00e3o toda a evid\u00eancia dispon\u00edvel, \u00e9 mais prov\u00e1vel que sim do que n\u00e3o que existe uma obriga\u00e7\u00e3o presente na data do balan\u00e7o.<\/p>\n<p>Em um processo judicial, por exemplo, pode-se discutir tanto se certos eventos ocorreram quanto se esses eventos resultaram em uma obriga\u00e7\u00e3o presente. Nesse caso, a entidade deve determinar se a obriga\u00e7\u00e3o presente existe na data do balan\u00e7o ao considerar toda a evid\u00eancia dispon\u00edvel incluindo, por exemplo, a opini\u00e3o de peritos.<\/p>\n<p>Outro ponto que gera d\u00favidas na rotina cont\u00e1bil \u00e9 quanto \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o cuja probabilidade de ocorr\u00eancia seja de 100%. Nesse caso, seria poss\u00edvel reconhecer uma provis\u00e3o ou deveria ser reconhecido um passivo comum (conta a pagar, por exemplo)?<\/p>\n<p>Para responder a esse questionamento, \u00e9 preciso que seja relembrado que a provis\u00e3o \u00e9 definida como um passivo <strong>de prazo ou de valor incerto<\/strong>. Desse modo, apenas o fato de haver a probabilidade de 100% de ocorr\u00eancia de perda n\u00e3o impede que seja reconhecida uma provis\u00e3o, j\u00e1 que a incerteza que constitui uma provis\u00e3o paira sobre o prazo ou o valor do desembolso futuro necess\u00e1rio para a sua liquida\u00e7\u00e3o. A probabilidade \u00e9 t\u00e3o somente para distin\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o prov\u00e1vel (requisito para provis\u00e3o) e obriga\u00e7\u00e3o poss\u00edvel (passivo contingente).<\/p>\n<p>Por fim, outro ponto que merece destaque \u00e9 qual o momento em que <strong>uma nova lei<\/strong> implicar\u00e1 no reconhecimento de uma provis\u00e3o. O <a href=\"http:\/\/www.cpc.org.br\/CPC\/Documentos-Emitidos\/Pronunciamentos\/Pronunciamento?Id=56\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>CPC 25<\/strong><\/a> estabelece que na hip\u00f3tese de uma nova lei, a obriga\u00e7\u00e3o surgir\u00e1 somente <strong>quando for praticamente certo<\/strong> que a <strong>legisla\u00e7\u00e3o ser\u00e1 promulgada conforme a minuta divulgada<\/strong>.<\/p>\n<h2><strong>O que significa \u201cevento passado que cria uma obriga\u00e7\u00e3o\u201d?<\/strong><\/h2>\n<p>No artigo anterior sobre os <a href=\"https:\/\/blbescoladenegocios.com.br\/blog\/cpc25-ias37-aspectos-iniciais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>conceitos b\u00e1sicos do CPC 25<\/strong><\/a>, restou evidenciado que o termo \u201cevento passado que cria uma obriga\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 recortado como elementar para constitui\u00e7\u00e3o de uma provis\u00e3o \u2013 trazendo diversas especificidades e detalhes.<\/p>\n<p>De fato, a compreens\u00e3o do assunto \u00e9 requisito b\u00e1sico para que a entidade possa aderir \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da norma cont\u00e1bil, da\u00ed a import\u00e2ncia do tema.<\/p>\n<p>O CPC 25 estabelece que para um evento ser <strong>um evento que cria obriga\u00e7\u00e3o<\/strong>, \u00e9 necess\u00e1rio que a entidade <strong>n\u00e3o tenha qualquer alternativa realista sen\u00e3o liquidar a obriga\u00e7\u00e3o criada pelo evento<\/strong>. Esse \u00e9 o caso somente:<\/p>\n<ul>\n<li>Quando a liquida\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o pode ser <strong>imposta legalmente;<\/strong> ou<\/li>\n<li>No caso de <strong>obriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o formalizada<\/strong>, quando o evento (que pode ser uma a\u00e7\u00e3o da entidade) cria expectativas v\u00e1lidas em terceiros de que a entidade cumprir\u00e1 a obriga\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ora, \u00e9 sabido que as demonstra\u00e7\u00f5es cont\u00e1beis tratam da posi\u00e7\u00e3o financeira da entidade no fim do seu per\u00edodo de divulga\u00e7\u00e3o e n\u00e3o da sua poss\u00edvel posi\u00e7\u00e3o no futuro. Dessa forma, <strong>nenhuma provis\u00e3o<\/strong> \u00e9 reconhecida para <strong>despesas que necessitam ser incorridas para operar no futuro<\/strong>. Os \u00fanicos passivos reconhecidos no balan\u00e7o da entidade s\u00e3o os que j\u00e1 existem na data do balan\u00e7o.<\/p>\n<h2><strong>Qual a diferen\u00e7a entre \u201cobriga\u00e7\u00e3o presente de uma provis\u00e3o\u201d e \u201cobriga\u00e7\u00e3o futura\u201d?<\/strong><\/h2>\n<p>Um problema recorrente \u00e9 a confus\u00e3o entre uma \u201cobriga\u00e7\u00e3o presente de uma provis\u00e3o\u201d e uma \u201cobriga\u00e7\u00e3o futura\u201d. A diferen\u00e7a \u00e9 que na obriga\u00e7\u00e3o presente de provis\u00e3o, a obriga\u00e7\u00e3o j\u00e1 existe na data do balan\u00e7o, por\u00e9m sua liquida\u00e7\u00e3o ocorrer\u00e1 no futuro. Diversa forma, a obriga\u00e7\u00e3o futura sequer existe na data do balan\u00e7o.<\/p>\n<p>Nessa toada, ser\u00e3o reconhecidas como provis\u00f5es apenas as obriga\u00e7\u00f5es que surgem de eventos passados que existam independentemente de a\u00e7\u00f5es futuras da entidade (isto \u00e9, a conduta futura dos seus neg\u00f3cios).<\/p>\n<p>Por exemplo, devido a press\u00f5es comerciais <strong>ou exig\u00eancias legais<\/strong>, a entidade pode pretender ou precisar efetuar gastos para operar de forma particular no futuro (por exemplo, montando filtros de fuma\u00e7a em certo tipo de f\u00e1brica). Dado que a entidade pode evitar os gastos futuros pelas suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es, por exemplo, alterando o seu modo de operar, ela n\u00e3o <strong>tem nenhuma obriga\u00e7\u00e3o presente relativamente a esse gasto futuro e nenhuma provis\u00e3o \u00e9 reconhecida<\/strong>.<\/p>\n<p>Agora, supondo que a entidade deva incorrer em custos futuros para descontinuar um posto de petr\u00f3leo ou uma central de energia el\u00e9trica <strong>devido a uma exig\u00eancia legal<\/strong> ou contratual, nesse caso, <strong>a entidade dever\u00e1 reconhecer uma provis\u00e3o com o valor estimado do custo futuro<\/strong>, j\u00e1 que existe uma obriga\u00e7\u00e3o presente de custos futuros de remo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2><strong>Qual a melhor estimativa do desembolso para liquidar a obriga\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h2>\n<p>O valor reconhecido como provis\u00e3o deve ser a melhor estimativa do desembolso exigido para liquidar a obriga\u00e7\u00e3o presente na data do balan\u00e7o.<\/p>\n<p>A melhor estimativa do desembolso exigido para liquidar a obriga\u00e7\u00e3o presente \u00e9 <strong>o valor que a entidade racionalmente pagaria para liquidar a obriga\u00e7\u00e3o na data do balan\u00e7o ou para transferi-la para terceiros nesse momento<\/strong>.<\/p>\n<p>Em muitos casos ser\u00e1 imposs\u00edvel ou proibitivamente dispendioso liquidar ou transferir a obriga\u00e7\u00e3o na data do balan\u00e7o. Apesar disso, a estimativa do valor que a entidade racionalmente pagaria para liquidar ou transferir a obriga\u00e7\u00e3o produz a melhor estimativa do desembolso exigido para liquidar a obriga\u00e7\u00e3o presente na data do balan\u00e7o.<\/p>\n<p>Para fins de elucida\u00e7\u00e3o a respeito da mensura\u00e7\u00e3o, um caso pr\u00e1tico:<\/p>\n<p><em>Uma loja vende celulares pelo pre\u00e7o de R$ 2.000,00. Em julho de 2018, a loja vendeu trinta celulares, sendo metade \u00e0 vista e o restante no cart\u00e3o de cr\u00e9dito, cujo recebimento ser\u00e1 em agosto. A loja, embora n\u00e3o tenha uma obriga\u00e7\u00e3o legal, tem a pol\u00edtica de oferecer <strong>garantia de um ano<\/strong> sobre os aparelhos vendidos. Al\u00e9m disso, estima-se que cada celular que apresentar defeitos maiores ter\u00e1 custo de repara\u00e7\u00e3o de R$ 1.600,00, enquanto o que apresentar defeitos menores ter\u00e1 custo de R$ 600,00, cada. Por fim, a t\u00edtulo de adiantamento, a entidade recebeu ainda a quantia referente a 15 celulares, totalizando um recebimento adicional de R$ 30.000. <\/em><\/p>\n<p><em>A loja possui o seguinte hist\u00f3rico: 20% dos celulares t\u00eam defeitos maiores, 40% t\u00eam defeitos menores e 40% n\u00e3o apresentam defeitos. <\/em><\/p>\n<p><em>Inicialmente \u00e9 preciso compreender que o valor recebido a t\u00edtulo de adiantamento n\u00e3o implicar\u00e1 em reconhecimento de provis\u00e3o, j\u00e1 que nesse caso n\u00e3o houve reconhecimento de receita. <\/em><\/p>\n<p><em>Desse modo, na data do balan\u00e7o (31\/07\/2018), a entidade dever\u00e1 realizar as seguintes mensura\u00e7\u00f5es:<\/em><\/p>\n<ul>\n<li><strong><em>1\u00ba &#8211; Produtos sem defeitos<\/em><\/strong><em>: 12 celulares (40% de 30), n\u00e3o h\u00e1 provis\u00e3o;<\/em><\/li>\n<li><strong><em>2\u00ba &#8211; Produtos com defeitos maiores<\/em><\/strong><em>: 12 celulares (40% de 30), cada um representando custos de R$ 600,00, logo, ser\u00e1 reconhecida uma provis\u00e3o de R$ 7.200; <\/em><\/li>\n<li><strong><em>3\u00ba &#8211; Produtos com defeitos menores<\/em><\/strong><em>: 6 celulares (20% de 30), cada um representando custos de R$ 1.600, logo, ser\u00e1 reconhecida uma provis\u00e3o de R$ 9.600. <\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p><em>Sendo assim, a entidade dever\u00e1 reconhecer:<br \/>\nC \u2013 Provis\u00f5es de garantia \u2013 R$ 16.800 (passivo)<br \/>\nD \u2013 Despesa com Provis\u00f5es \u2013 R$ 16.800 (resultado)<\/em><\/p>\n<p><em>Importante destacar que embora n\u00e3o tenha uma obriga\u00e7\u00e3o formalizada, a pol\u00edtica de oferecer garantia gera uma expectativa em terceiros suficiente para que seja gerada uma obriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o formalizada. Ademais, o fato de partes das vendas serem recebidas apenas em per\u00edodos posteriores, a provis\u00e3o ser\u00e1 reconhecida no m\u00eas da venda \u2013 em respeito ao regime de compet\u00eancia. Por\u00e9m, como j\u00e1 explicado, os 15 celulares a t\u00edtulo de adiantamento apenas implicar\u00e3o no reconhecimento da despesa de provis\u00e3o no per\u00edodo em que houver o reconhecimento da receita. <\/em><\/p>\n<h2><strong>Um passivo contingente deve ser reconhecido?<\/strong><\/h2>\n<p>A entidade <strong>n\u00e3o deve reconhecer no passivo um passivo contingente<\/strong>.<\/p>\n<p>O passivo contingente \u00e9 <strong>divulgado (em notas explicativas)<\/strong>, a menos que seja <strong>remota<\/strong> a possibilidade de uma sa\u00edda de recursos que incorporam benef\u00edcios econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Na hip\u00f3tese que a entidade seja conjunta e solidariamente respons\u00e1vel por obriga\u00e7\u00e3o, a parte da obriga\u00e7\u00e3o que se espera que as outras partes liquidem \u00e9 tratada como passivo contingente.<\/p>\n<p>Os passivos contingentes podem desenvolver-se de maneira n\u00e3o inicialmente esperada. Por isso s\u00e3o periodicamente avaliados para determinar se uma sa\u00edda de recursos que incorporam benef\u00edcios econ\u00f4micos tenha se tornada prov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Se for prov\u00e1vel que uma sa\u00edda de benef\u00edcios econ\u00f4micos futuros ser\u00e1 exigida para um item previamente tratado como passivo contingente, a provis\u00e3o deve ser reconhecida nas demonstra\u00e7\u00f5es cont\u00e1beis do per\u00edodo no qual ocorre a mudan\u00e7a na estimativa da probabilidade (exceto em circunst\u00e2ncias extremamente raras em que nenhuma estimativa suficientemente confi\u00e1vel possa ser feita).<\/p>\n<p>Para fins elucidativos, um quadro para facilitar a compreens\u00e3o do tema:<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\" colspan=\"4\" width=\"576\"><strong>PROVIS\u00d5ES PARA CONTING\u00caNCIAS<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"144\">&nbsp;<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"144\">Prov\u00e1vel<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"144\">Poss\u00edvel<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"144\">Remota<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"144\">Balan\u00e7o Patrimonial<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"144\">Registra<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"144\">N\u00e3o registra<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"144\">N\u00e3o registra<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"144\">Notas explicativas<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"144\">Divulga<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"144\">Divulga<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"144\">N\u00e3o divulga<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2><strong>Ativo contingente<\/strong><\/h2>\n<p>Embora n\u00e3o seja um termo usual, principalmente na contabilidade brasileira, torna-se preciso evidenciar o conceito de ativo contingente.<\/p>\n<p>Ativo contingente \u00e9 um ativo poss\u00edvel que resulta de eventos passados e cuja exist\u00eancia ser\u00e1 confirmada apenas pela ocorr\u00eancia ou n\u00e3o de um ou mais eventos futuros incertos n\u00e3o totalmente sob controle da entidade.<\/p>\n<p>A norma cont\u00e1bil evidencia que a entidade n\u00e3o deve reconhecer um ativo contingente como ativo, uma vez que pode tratar-se de resultado que nunca venha a ser realizado. N\u00e3o obstante, o ativo contingente \u00e9 divulgado em notas explicativas quando for prov\u00e1vel a entrada de benef\u00edcios econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso compreender que os ativos contingentes surgem normalmente de evento n\u00e3o planejado ou de outros n\u00e3o esperados que deem origem \u00e0 possibilidade de entrada de benef\u00edcios econ\u00f4micos para a entidade. <strong>Um exemplo \u00e9 uma reivindica\u00e7\u00e3o que a entidade esteja reclamando por meio de processos legais, em que o desfecho seja incerto<\/strong>.<\/p>\n<p>Por outro lado, se for praticamente certo que ocorrer\u00e1 uma entrada de benef\u00edcios econ\u00f4micos, o ativo n\u00e3o \u00e9 mais contingente \u2013 e dever\u00e1 ser reconhecida nas demonstra\u00e7\u00f5es cont\u00e1beis do per\u00edodo em que ocorrer a mudan\u00e7a de estimativa.<\/p>\n<p>Nesse ponto, ressalta-se, que em raz\u00e3o do regime da prud\u00eancia, para que o ativo contingente se qualifique como ativo n\u00e3o bastar\u00e1 que seja prov\u00e1vel \u2013 \u00e9 preciso que seja <strong>praticamente certo<\/strong>. E o ativo contingente n\u00e3o basta ser poss\u00edvel (como ocorre no passivo contingente), \u00e9 preciso tamb\u00e9m que seja prov\u00e1vel.<\/p>\n<h2><strong>Como a BLB Brasil pode ajudar?<\/strong><\/h2>\n<p>A BLB Brasil tem atuado sistematicamente no apoio \u00e0s empresas que pretendem adotar a aplica\u00e7\u00e3o das normas cont\u00e1beis segundo o padr\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o da norma n\u00e3o \u00e9 o suficiente nessa miss\u00e3o. \u00c9 preciso entender tamb\u00e9m os obst\u00e1culos e dificuldades das empresas nacionais, na maioria das vezes, situadas em um ambiente mais complexo e hostil comparado ao internacional.<\/p>\n<p>Compreendendo tais dificuldades, a BLB Brasil desenvolveu uma equipe multidisciplinar que atua desde o desenvolvimento de projetos, no n\u00edvel de <a href=\"https:\/\/www.blbbrasil.com.br\/consultoria-em-gestao-e-financas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"broken_link\"><strong>governan\u00e7a e gest\u00e3o<\/strong><\/a>, at\u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o das <a href=\"https:\/\/www.blbbrasil.com.br\/auditoria-independente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"broken_link\"><strong>normas cont\u00e1beis<\/strong><\/a> e seus <a href=\"https:\/\/www.blbbrasil.com.br\/consultoria-tributaria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"broken_link\"><strong>reflexos tribut\u00e1rios<\/strong><\/a> no n\u00edvel operacional.<\/p>\n<p>Para d\u00favidas ou esclarecimentos, <a href=\"https:\/\/www.blbbrasil.com.br\/contato\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"broken_link\"><strong>entre em contato conosco<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>Gabriel Tavares<\/strong><br \/>\nGraduado em Direito pelas Faculdades COC, p\u00f3s-graduando em Direito Tribut\u00e1rio pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tribut\u00e1rios (IBET).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em artigo anterior, publicado neste blog, foram apresentados os aspectos b\u00e1sicos do CPC 25, correlacionado com a Norma Internacional de Contabilidade IAS 37. 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